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Aprende a brilhar, mãe!

Quando a gente vai ter um filho, começa logo a pensar em todas as coisas que vai ensinar para ele. A gente pensa em ser um bom exemplo, e para isso tem que mudar um pouco, se melhorar. A gente repensa o que pensa sobre religião, política, amor, para poder explicar tudo para essa pessoa em formação um dia, lá na frente. Mas aí começa o dia a dia da relação mãe-filho, ou pai-filho, e uma gigantesca e inesperada surpresa se revela: não estamos aqui para ensinar! Muito pelo contrário, nesta relação o grande desafio é aprender tudo que uma criança pequena sabe.

O que tem sido o grande ensinamento do meu filho para mim é aprender a brilhar a minha própria luz. A ser luz para mim e para os outros. Pode parecer papo estranho, mas a gente sabia ser assim quando era criança. Toda criança nasce sabendo ser autêntica, e é nessa autenticidade que ela brilha. Ela não planeja, não se preocupa, não esconde, ela apenas é, o tempo todo, exatamente o que ela é. A cada momento é tudo verdade, a cada sorriso ou choro, ali só tem verdade.

A gente, quando era criança, já soube também ser assim. Mas de alguma forma, por alguma razão, a gente vai se esquecendo de ser luz. Para se proteger, talvez, a gente aprende a filtrar o que faz. A pensar duas vezes antes de agir. A medir sorrisos, palavras e abraços. E com o passar dos anos a gente corre o risco de se tornar uma versão bem “apagadinha” do que a gente já foi.

E quando a gente apaga todo este brilho próprio, passa a acreditar que a felicidade deve vir de fora. A gente cai no erro de achar que é papel das outras pessoas fazerem a gente feliz. Que o marido que tem que te fazer sorrir. Que a sua família que tem que te dar segurança, te fazer aceita ou amada.

Outro dia, fomos visitar minha família (que ficou em SP quando viemos para o interior do Paraná), e eu reparei na incrível capacidade que o meu filho tem de fazer as pessoas rirem. Onde ele está, sendo ele mesmo, risonho, pleno, ele consegue contagiar as outras pessoas. Isso não é privilégio do meu filho, não! Acho que toda criança tem este poder: poder de brilhar seu brilho na potência máxima, e com isso, iluminar todo o ambiente e quem estiver por perto.

Muito bem. Eu, na minha cabeça de adulta, fiquei um pouco triste por ele não conviver mais de perto com a minha família, e pensei que ele estava perdendo quando não tinha esta “plateia” no seu dia a dia. Voltamos para casa e eu continuei com este pensamento. Mas bastou encontrarmos pessoas da família do meu marido, no mesmo dia, que a minha ficha caiu.

Percebi que a saudade existe, mas que a mesma luz que ele irradiava lá em SP era irradiada aqui também. Os sorrisos de todos se acenderam por ele da mesma maneira, e todo o ambiente se iluminou quando ele começou a brincar e a ser ele mesmo. E então eu entendi que a verdadeira luz própria, aquela que toda criança tem, é maravilhosa justamente porque vem de dentro.

Porque a criança não está preocupada com plateia nem com mais nada. Ela apenas é e pronto. E para mim, este é o ensinamento mais importante que já tive até hoje com meu filho. Que eu – e você e todos nós – podemos também ser uma fonte de luz para todos, sem esperar condições. Como o sol, que não espera ninguém jogar luz sobre ele, mas ele próprio se ilumina sozinho. Simplificando, ser luz é escolher ser feliz a cada momento, sem esperar condições ideais para isso, pois elas podem vir ou não…

Acredito que todo ser humano tem esta capacidade, mesmo que tenha se esquecido, e que todos podemos reaprender.

Basta observar as crianças. E escolher, nós mesmos, sermos a parte boa da nossa própria vida. Em vez de pensar “quando eu tiver tal coisa eu vou ser feliz” ou “quando tal coisa acontecer eu vou ser feliz”, eu escolho pensar diferente. Eu prefiro pensar “hoje eu sou feliz exatamente do jeito que estou, porque isso é a única coisa que eu posso comandar. Escolho ser a parte boa da minha vida, independente do resto”.

Não vale a pena a gente passar a vida esperando ser iluminado por algo externo. Porque isso pode até acontecer, mas a luz de fora sempre vai ir embora porque não é luz própria.

A felicidade infantil tem sido minha maior professora. Ela tem algumas características próprias que podemos admirar, e por que não, tentar imitar. Separei algumas que me chamam muito atenção e têm me inspirado demais:

AUTENTICIDADE – Uma delas é que a criança é sempre autêntica no que faz, sem ficar pensando ou planejando demais as suas atitudes. Então a primeira lição é essa: autenticidade. Ui, como é difícil, eu sei, pois nós adultos já pensamos no que vão pensar de nós. Mas a nossa beleza reside justamente naquilo que é único, e se ficarmos filtrando nossas atitudes sempre, como vamos expressar a nossa autenticidade?

Então, dentro do possível, eu estou aprendendo a fazer, ou a deixar de fazer, ouvindo a minha voz interior. Quero ou não quero? Combina realmente comigo ou não? E tem sido um caminho muito libertador encontrar estas verdades e deixar que elas venham à tona.

VIVER O MOMENTO – Outro ensinamento das crianças é que elas estão sempre no momento presente, vivendo o agora. Não se preocupam com a atividade seguinte, não pensam se vai ter janta na mesa amanhã. Elas simplesmente se entregam a cada momento, e com isso conseguem vivê-los de forma plena. Bem diferente da maioria dos adultos, que temos uma dificuldade GIGANTE de esquecer do ontem e do amanhã, e vivemos ou lamentando ou planejando, mesmo sabendo que não temos controle sobre o que virá.

TER FÉ – Acredito que elas conseguem fazer isso porque têm uma fé muito grande, mesmo sem perceber. Elas confiam que vai estar tudo bem e que não tem nada com que se preocupar. A fé que tanto nos falta, para elas é algo natural e intuitivo. A maioria das pessoas “confia desconfiando”, ou seja, dizem que confiam da boca para fora, mas se preparam para o pior. Eu estou ousando me preparar para o melhor, diferente do que fiz a minha vida toda. Dá um frio na barriga mas eu sinto que o universo todo responde a mim de uma forma diferente quanto eu consigo acreditar.

DAR AMOR – As crianças também sabem dar amor facilmente. Se alguém se aproxima disposto a brincar junto, ela não vai perder tempo julgando ou avaliando a pessoa. Ela vai simplesmente receber a nova companhia e retribuir a brincadeira. Pode reparar que as crianças não perdem tempo ficando chateados ou acumulando mágoas. Elas amam com muita facilidade e isso é maravilhoso. Vamos perdendo isso na vida adulta, e ficamos na defensiva, desconfiados dos outros.

O contrário também é muito interessante. Quando uma pessoa nova não dá atenção para a criança, ela simplesmente continua fazendo o que estava fazendo antes sem se abalar. Ela não quer convencer o outro a brincar com ela! E isso é fantástico porque nós às vezes forçamos a barra querendo fazer amigos ou receber amor. A criança ensina a receber e retribuir, e não a forçar um interesse quando ele não existe.

MARAVILHAR-SE – Outra característica admirável nas crianças é a capacidade de se maravilhar com as pequenas coisas da criação. Desde uma formiga, até um pedaço de giz. Tudo é incrível se for olhado bem de pertinho. Tenho aprendido muito com meu filho a reconhecer os objetos e animais como coisas maravilhosas. Porque quando a gente para e vê, até uma formiga andando pode ser uma coisa muito incrível mesmo.

São todas estas sabedorias que fazem as crianças brilharem sua própria luz e serem naturalmente felizes. Com o tempo, tudo isso vai se apagando, entram os medos e os desejos de agradar, as defesas e os votos feitos para se proteger… Acredito que nosso papel, como pais, é tentar atrapalhar o menos possível os nossos filhos neste caminho. Não pisar nesta sensibilidade, nem por pressa nem por falta de empatia.

E, principalmente, ousar aprender um pouco de tudo isso, reconhecendo que grandes ensinamentos podem vir dos menores mestres e que nada é bobeira. Na verdade, tudo pode ser lindo e a vida pode ser uma experiência maravilhosa se a gente se permitir seguir os pequenos passos dos nossos filhos, tão sábios e divinos. Antes de mesmo de acreditar em Deus ou de saber que Deus existe, eles sabem expressar a essência divina. E essa é a coisa mais linda que eu já vi até hoje, escancarada em cada sorriso do meu filho, que eu aprendo a imitar sem vergonha nenhuma.

Natalia Gómez Targa, do Maternamos

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Comments ( 2 )

  • Jaqueline Dos Santos Dias

    Que texto maravilhoso e carregado de emoção! Eu me sinto dessa forma com a minha filha também, só não tenho tanta habilidade pra transcrever rs

  • Renata

    Quanta sensibilidade e lucidez para perceber e relatar tudo isso! Obrigada por compartilhar conosco o q está na nossa frente e às vezes, não sabemos como expressar ou colocar no papel, colocar pra fora. Ser mãe realmente é um atalho evolutivo, um retorno ao ser criança, um resgate a todas essas maravilhas q vc descreveu.
    Obrigada querida!! Sigamos em frente com foco no presente!!!

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