BLW e o retorno ao trabalho – Maternamos entrevista Melina Caldani | Maternamos
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BLW e o retorno ao trabalho – Maternamos entrevista Melina Caldani

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Melina Caldani com sua (linda) família – Dueto em Versos Fotografia (http://www.duetoemversos.com.br/)

Voltar ao trabalho e deixar o bebê com outro cuidador certamente não é fácil, ainda mais porque o fim da licença-maternidade coincide com o período da introdução alimentar. Para quem adota o método Baby Led Weaning (BLW), esta fase pode ser ainda mais estressante, pois esta forma de introdução alimentar é menos conhecida. Se até os pais ficam inseguros com o BLW, outros cuidadores podem ficar ainda mais! É nesta hora que muita gente acaba abrindo mão da autonomia do BLW e desistindo de adotar o método.

Mas não precisa ser assim! É plenamente possível conciliar o BLW com diferentes cuidadores. Conversei com a Melina Caldani, que passou por isso, e ela nos contou um pouco da sua experiência e deu dicas de como você pode manter o BLW mesmo voltando a trabalhar.  A Melina é fera em BLW e ajuda famílias que desejam aplicar o método, compartilhando experiências e conceitos. Vamos lá!

Maternamos – Melina, é possível fazer o BLW quando a mãe e o pai trabalham fora?

Melina – É plenamente possível conciliar o BLW entre cuidadores diferentes, especialmente quando os pais trabalham fora. O método por si só não tem impeditivos para isso. As limitações podem ocorrer por insegurança, desconhecimento ou negativa de outro cuidador ou instituição (como creche), mas não pela troca de quem acompanhará a refeição ou de local.

É fundamental que todos saibam e concordem com algumas premissas: que o BLW não necessita de comidas diferentes para o bebê, que saibam como fazer a oferta adequada a cada idade (considerando as habilidades do bebê – mais novos,pedaços maiores; mais velhos, pedaços menores; segurança – evitar alimentos que potencializam o risco de engasgo, alergênicos e restritos pela dieta familiar; posição vertical – sentado), que possam identificar gag/engasgo (isso vale para qualquer abordagem) e, sobretudo, que respeitem fome, saciedade e interesse do bebê. Ou seja, a manutenção do método dependerá de informação e aceitação de todos os adultos.

Maternamos – Muitas pessoas partem para um método misto, com papinha durante o dia e mais autonomia quando os pais estão presentes. Qual é a sua visão sobre isso?

Melina – Eu não acho que BLW e retorno ao trabalho ou alternância com outros cuidadores sejam impeditivos de manter o controle da alimentação pelo bebê. O BLW continua possível! O mesmo cuidado e preparo que os pais tiveram pode ser passado ao cuidador.

A escolha do que vai ser ofertado nesse período deve levar em consideração o quão segura e preparada estará essa pessoa para acompanhar a refeição da criança. Além disso, a organização inclui saber quantas serão as  horas diárias de ausência para estabelecer o número e o “tipo” de refeições e saber a quantidade de leite materno ou fórmula a que a criança terá acesso. Muitas vezes,especialmente no início da alimentação complementar e em curtas ausências, a criança mal será exposta ao alimento sólido. Até que a criança esteja mais familiarizadas com os alimentos e demonstre mais autonomia e interesse, será viável para muitos manter apenas o leite no período, com refeições familiares nos outros momentos. Leite materno ou fórmula respondem por quase toda a nutrição nos primeiros meses.

Em ausências mais prolongadas ou quando a criança vai para a creche ou berçário, a aceitação do cuidador será fundamental. Isso envolve sentir-se seguro e informado tanto quanto os pais. Nem sempre isso é possível, mas não pelo método e sim por esses fatores pessoais ou regras institucionais. Nesse caso, algum controle em algum momento é melhor que nenhum.

Sempre sugiro que, então, seja pedido ao responsável que o bebê seja exposto à diferentes texturas, na medida do possível; que a comida esteja separada; que haja transição de textura de acordo com a proposta da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde; que o bebê só coma quando e o quanto tiver interesse.

Maternamos – Você pode contar para a gente sobre a sua vivência e passar alguma dica para quem está nesta situação?

Melina – Tive a experiência pessoal de trabalhar fora e manter o BLW e amamentação. Fico 8 horas fora, ininterruptas. Amamentava antes de sair, deixava leite materno para 2-3 ofertas. Minha filha, a Alice, almoçava, tomava leite, lanchava, tomava mais leite e eu voltava para jantarmos juntos. Nos dois primeiros meses sentia a babá insegura com alguns alimentos. Então, o cardápio familiar priorizava os alimentos que ela sentia segurança em deixar a Alice comer. Sei que ela deu na boca, algumas vezes,quando teve medo. Paciência. 90% ou mais das vezes, não. Quando a fase da pinça começou e a Alice manipulava melhor os pedaços menores, ela se sentiu mais confiante e isso cessou. Foi um processo de aprendizado para todos, que envolveu organização e diálogo.

Maternamos – Você sentiu alguma diferença entre o BLW feito na sua presença e na presença de outro cuidador?
 
Melina – Minha primeira experiência com BLW, com o Miguel, hoje 4 anos, foi estando integralmente com ele. Minha segunda e a próxima experiência, com Alice, 2 anos, e Cecília, que nasce em breve, será com outras pessoas em conjunto. Uma vez que a ambos foi permitido controlar, eu percebi que as diferenças foram muito mais relativas à personalidade de cada filho do que com o fato das refeições serem com cuidadores diferentes.

Pouca coisa atribuo a essa diferença de cuidadores, penso que tem muito mais a ver com o manejo da situação pelo adulto do que com a condução do BLW por mais de uma pessoa: eu sempre fui mais tranquila em relação à sujeira. A Cida, quem cuidou da Alice, intervinha mais para limpar boquinha. A Alice não gosta de ficar com a boca suja. O Miguel não ligava. Nada de relevante nisso, rs. A Cida se apavorava mais com gags, então tendia a “ajudar” amassando a comida pós-gag. Foram poucos gags com a Alice, quase todos comigo junto e mais no início da alimentação complementar, quando estava preparando a cuidadora.

Quando eu estava junto, a intervenção não ocorria. Na dúvida, não estando em casa, sempre preferi que ela fizesse do jeito que se sentisse segura, porque isso implicaria na segurança das crianças! Quando ela aprendeu a identificar, ganhou confiança. Logo isso passou. Precisamos respeitar o processo que cada um tem.

Maternamos – Fiquei muito feliz de saber que é possível conciliar o método e o retorno ao trabalho, pois sei que isso gera muita ansiedade nos pais.

Melina – Não vejo muito segredo. É questão de diálogo e organização da nova rotina mesmo. Muitas vezes o tempo sem os pais é tão curto que não é imprescindível ofertar o sólido como parece, no início da alimentação complementar especialmente. Se os sólidos forem mesmo necessários, seja em função do período prolongado de ausência ou porque são parte integrante da rotina ou porque já foram, de fato, incorporados pela criança como alimento, aí as dicas de planejamento são importantes.

Em todo caso, é fundamental manter oferta de leite como alimento prioritário! Mostrar videos, especialmente de gag, estar junto com o cuidador nos primeiros dias ou em algumas refeições, são coisas que ajudam. Mas a porta abre de dentro!

Maternamos – Muito obrigada Melina! 

E você, gostou da entrevista? Então compartilhe! Você também vai gostar desta entrevista que fiz com a Melina sobre como ficar feliz com o método BLW desde o primeiro dia.

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