Dedo na ferida: maternidade e trabalho | Maternamos
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Dedo na ferida: maternidade e trabalho

Hoje é dia das Mulheres e precisamos falar sobre a questão trabalho x maternidade! Tabu, assunto sofrido… Mas vamos lá!

Quando eu conto que deixei meu emprego para me dedicar exclusivamente ao meu filho por mais de 1 ano, muita gente quer saber mais detalhes e pergunta como foi! Muitas mães têm o mesmo desejo, mas têm receio de abandonar emprego, salário e carreira. Realmente não é fácil, e obviamente não existe uma receita que funcione para todas!

Acho que um fator importante a analisar, caso você esteja vivendo esta dúvida, é o quanto você ama o seu emprego atual. O quanto você é feliz fazendo o que faz? Quanto menos contente você estiver, menor será a perda de abandonar o trabalho… O maior problema é que as mulheres que abandonam os seus postos de trabalho precisam ter reserva financeira para sobreviver por um tempo, ou então contar com o marido para sustentar a casa sozinho, o que nem sempre é possível!

Quando eu engravidei do meu filho, via todos ao meu redor deixando os bebês de 4 ou 5 meses em creches, pois esta era a realidade naquele mundo em que eu vivia. Mas aquilo não era uma opção para mim, porque eu tinha vontade de cuidar dele, estar junto e acompanhar o desenvolvimento. Mas me sentia super culpada porque achava que, se todo mundo conseguia colocar na creche, eu também deveria colocar e pronto!

Um dia eu me deparei com um vídeo do Dr. José Martins Filho (pediatra) sobre os 1000 primeiros dias de vida da criança. Neste vídeo, ele explica a importância do afeto no início da vida, e destaca que a mãe tem papel fundamental e insubstituível no primeiro ano de vida, devido ao aleitamento materno. No segundo ano de vida, fica mais tranquilo dividir os cuidados com o pai. Aquele vídeo mexeu muito comigo, pois dizia exatamente o que eu pensava e desejava. Fui criando mais coragem de fazer o que meu coração mandava. Mudei de cidade e larguei meu emprego para ficar com meu filho por 1 ano e 2 meses. Depois disso, ele passou a frequentar a escolinha no período da tarde, e eu comecei a atuar como jornalista freelancer e aqui no Maternamos.

Eu posso dizer que tem valido a pena toda esta dedicação ao meu filho. Tenho certeza de que terá efeitos positivos que ecoarão até na vida adulta dele. Porém, certamente foi difícil abdicar de trabalho, salário, carreira, rotina fora de casa! É muito puxado! Depois de uns 8 meses, eu senti que estava ficando maluca, e precisava voltar a ter uma atividade intelectual só minha.

Foi aí que surgiu o Maternamos, como uma terapia, como algo que era só meu.

Apesar de ter me encontrado (por enquanto) nesta configuração de home office de freelancer e empreendedora digital, eu sei que esta não é uma solução viável para a maioria das mulheres! Sei que nem todas desejam empreender, e nem todas têm profissões propícias para isso ou reservas financeiras para levar um projeto independente adiante.

Por isso me dói muito saber que hoje, a maioria é forçada a escolher entre 8 ou 80: ou passa mais de 12 horas por dia fora de casa ou abdica da carreira e da independência. É muito cruel, pois hoje funciona assim… Sua criança é problema seu, e minha criança é problema meu. Falta a sociedade enxergar que este dilema é na verdade um dilema de todos!

Poderiam existir jornadas flexíveis ou mais curtas… Poderiam existir mais creches dentro das empresas, para que as mães pudessem – ao menos – seguir amamentando os seus filhos. Tem ainda a questão da divisão de tarefas, que na maioria dos lares ainda é injusta, entre homens e mulheres. Poderia ser um problema levado a sério por governo, empresas e dentro das próprias famílias! Deveriam existir licenças maternidades mais longas.

Este dilema não deveria ser apenas das mulheres, pois os bebês de agora são os gestores, trabalhadores, políticos, empresários de amanhã. As empresas reclamam da qualidade dos profissionais que chegam aos seus quadros atualmente, mas não valorizam as famílias, sem perceber que a família poderia contribuir muito para a formação de profissionais qualificados no futuro. Afinal, famílias presentes podem criar seres humanos mais felizes, equilibrados, mais produtivos e com melhor desempenho escolar.

Caberia às famílias acompanhar os estudos das crianças, supervisionar dever de casa e afins, mas muitas famílias são obrigadas a terceirizar estes cuidados. E o pior é que quando deixamos este papel para uma funcionária, esquecemos que ela também tem que deixar seus filhos pequenos com outras pessoas para poder trabalhar.

É uma conta que não fecha! É um futuro que não está sendo protegido como poderia!

Enquanto este problema for só meu, e só seu, vai ser difícil mudar… Vamos continuar dependendo de cada uma “dar o seu jeitinho” e ir se virando. É muito deprimente pensar em tudo isso!

Confira o vídeo que gravei sobre isso e deixe sua opinião nos comentários!

Os vídeos do Dr José Martins que valem muito a pena são:
Os primeiros mil dias das crianças
Crianças terceirizadas

Recentemente conheci o trabalho da Dra Eleanor Luzes, é fantástco. Recomendo este vídeo: A importância da presença da mãe até os 3 anos

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Até breve!

 

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