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Gravidez sem consumismo

Enquanto eu espero o Benício (7 meses agora), eu me proponho a viver uma gestação sem consumismo. E hoje eu quero explicar o por que! Este post é uma crítica a alguns costumes, mas eu respeito e acolho quem faz diferente, pois eu também tenho meus momentos de achar que ter alguma coisa material vai me fazer sentir melhor, ok? Então vamos lá!

Basta a gente ficar grávida para começar a sentir a ENORME pressão para consumir que existe ao nosso redor. Até mesmo de dentro de nós surge esta urgência de ter mais coisas, de comprar um monte de tranqueiras sem ter certeza de que serão úteis. Quase todo o conteúdo voltado para mães na internet, na televisão ou nas rodas maternas gira em torno do consumo. Então, se não tomarmos um pouco de cuidado e não pararmos para refletir, provavelmente vamos gastar boa parte da gestação preocupadas com um monte de TRANQUEIRAS e deixando de lado o que realmente importa.

Esta é a segunda vez que passo por uma gestação, mas desta vez estou bem mais atenta a esta armadilha. Na primeira gravidez, eu acho que caí um pouco nesta fábula de que o enxoval era algo importante. Eu pensava e repensava para me assegurar que eu tinha realmente “tudo” que eu precisava. Não fui das mais exageradas, mas acredito que podia ter me preocupado bem menos com coisas materiais naquela época, e tudo daria dado certo.

Não demorou muito para eu descobrir que não somente a gravidez é bombardeada pelo consumismo, mas a maternidade em si. A cada fase que passa, sentimos a tentação de comprar a mochila da modinha, o copinho mais bacana, a roupinha mais isso ou aquilo. Quando chega a introdução alimentar, não demora para que as mães pensem que PRECISAM ter babadores daquela marca, ou um cadeirão específico, quando uma simples fralda de pano amarrada no pescoço daria conta do recado, e o cadeirão mais barato seria mais-do-que-suficiente. E as festinhas de aniversário? São um bom exemplo de como o padrão de consumo deixa a gente maluca.

Para piorar, tem muitos médicos que incentivam ainda mais o consumismo, fazendo acreditar que o creme de marca-tal, que custa mais de 200 reais, previne estrias, sem contar pediatras e outros que não poupam o bolso das famílias sem considerar a real necessidade de algumas recomendações.

Então, se você também está grávida e chegou até aqui, tenha certeza de que não precisa ser assim… Procure, em primeiro lugar, estar bem, colocando as ideias e os sentimentos no lugar. Aí vale tudo, terapia, religião, abraço no marido, atividade física, enfim, o que te faz sentir melhor e mais equilibrada. Segundo, procure informação! Procure entender um pouco mais sobre parto, sobre aleitamento materno, criação com apego, cama compartilhada, alimentação na gestação, introdução alimentar, etc…

Não porque você deva seguir alguma cartilha, mas porque você ficará mais segura se tiver ALGUMA noção destes assuntos, para não cair na primeira conversa que escutar por aí! Conhecimento é importante sim, muito mais do que comprar papel de parede ou fazer um super ensaio fotográfico… Detalhe, eu acho lindo papel de parede e acho lindo ensaio fotográfico para gestante, mas são itens supérfluos, enquanto a informação é fundamental. 

Enquanto eu espero o Benício (7 meses agora), eu me proponho a viver uma gestação sem consumismo. Primeiro porque eu já tenho o enxoval do meu primeiro filho Júlio, e segundo porque eu tenho refletido mais e mais sobre a importância de repensar nossos hábitos de consumo, em nome da nossa paz interna e do planeta também. Tenho investido meu tempo em me desfazer das minhas próprias coisas, doando algumas e vendendo outras, para abrir espaço para o novo morador.

Decidi que só manteria os sapatos que coubessem na sapateira. Só manteria as roupas que coubessem em determinado armário. Só ficaria com os livros que realmente desejo reler. Tudo isso tem me dado uma leveza enorme, uma sensação de liberdade. Enquanto eu ficava com os livros antigos, eu estava me associando a eles de determinada maneira. Agora, eu me sinto aberta para descobrir o que eu realmente quero ler…

Toda esta economia está relacionada com meu momento de vida, pois há dois anos decidi reduzir muito meu ritmo de trabalho para cuidar do meu filho, e agora grávida continuo ganhando muito menos do que ganhava antes de ser mãe. Então, claro, tudo isso tem a ver com escolhas. Toda esta situação tem me apresentado oportunidades incríveis de crescimento.

Voltando ao enxoval, eu decidi lavar e organizar tudo que meu filho Júlio usou até hoje, para que o Benício possa usar novamente sem ficar difícil de eu encontrar. Foi um trabalhão intenso, mas valeu a pena, pois as peças que foram do Júlio trazem muitas lembranças maravilhosas, e sei que vai ser lindo “brincar” com elas novamente no meu novo bebê. Guardei tudo separado por tamanho, e mesmo as peças que estavam com algum defeitinho ficaram, pois sei que bebês não precisam estar sempre arrumados dentro de casa.

Foi tanta lavação de roupa aqui em casa que deveria ter pedido Vanish no chá de bebê (rsss; atenção: isto não é uma propaganda).

As poucas coisas novas do enxoval foram fui eu mesma que fiz, como a carteira de vacinação do Benício (adoro cartonagem) e um quadrinho para porta da maternidade para ele (e um novo para o Júlio também, são os da foto neste post). Fiz tudo sem comprar novos materiais, usando apenas o que já tinha em casa. Até os saquinhos para roupa da maternidade eu consegui reaproveitar, colocando uma etiqueta nova com o nome do Benício onde estava o nome do Juju.

Minha professora de Yoga sempre fala que a educação dos filhos começa ainda no ventre, e eu espero demonstrar para o Benício que a nossa riqueza está na nossa família e nos nossos bons sentimentos. Eu acho que ele está aprovando.

Espero ter te ajudado a refletir um pouco antes de ser bombardeada pelo mundo de consumismo que nos cerca.

Fique atenta pois a indústria de consumo é muito esperta, praticamente tudo é transformado em produto, até o leite materno vira joia hoje em dia! Acho lindo a joia em si, mas impressiona o fato de até mesmo o leite materno, algo tão natural, acabar sendo transformado em um produto.

Lembre-se que nem o papel de parede mais lindo do mundo vai resolver a solidão do puerpério, mas uma mente equilibrada pode ajudar. Tenha certeza de que uma roupa de marca jamais vai ter o poder de fazer o seu filho feliz, quando tudo que ele deseja é o seu colo e a sua presença mais sincera!

Prepare-se para o puerpério olhando mais para as questões invisíveis (sentimentos, emoções) do que para aquilo que você pode tocar… Desejo uma linda gestação/maternidade para você. Até breve!

Comments ( 3 )

  • Renata Rocha

    Concordo em gênero, número e grau! Pena que no primeiro filho agente sempre pensa em fazer o enxoval mais bonito e mais caro…ai o bebê acaba nem dormindo no berço rsrsrs. Eu aprendi com meu bebê, o que importa é o carinho, sentir-se protegido e o cheiro da cama do papai e da mamãe.
    Daí os gastos com festa de 1 aninho são repensados, o bebê nem poderá aproveitar de tudo e nem comer de tudo, façamos então uma festinha mais íntima só com quem realmente se importa e ele poderá se sentirá mais confortável e feliz! Essa é a minha escolha!

  • Anônimo

    Concordo plenamente, a minha filha está com 4 meses e vivemos felizes com o que realmente precisa, muito colo, amor e carinho

  • Natália Martyniak

    Que lindo Nati!!! Parabéns pelo texto… Tão importante agente ir se libertando tb… Não me acho tão apegada, mas espero me inspirar tb

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