Maternamos entrevista Gill Rapley, autora do livro Baby Led Weaning - Primeira entrevista para o Brasil! | Maternamos
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Maternamos entrevista Gill Rapley, autora do livro Baby Led Weaning – Primeira entrevista para o Brasil!

Hoje o Maternamos tem um conteúdo mais do que VIP para compartilhar com você! Conversei com a autora do livro Baby Led Weaning (BLW), Gill Rapley, e foi a primeira entrevista que ela já deu para o público brasileiro.

O livro da Gill é praticamente uma bíblia do BLW, pois é a referência para todos que falam do método hoje. Foi a Gill que pesquisou, documentou e deu um nome para ele!

Nós conversamos por Skype e a Gill contou, lá da sua casa no Reino Unido, como surgiu o BLW na vida dela, como foi a vivência de introdução alimentar dos seus filhos, o que ela está estudando atualmente, explicou sobre o risco de engasgo e disse que está ansiosa para ver seu livro publicado em português. Veja como foi.


Maternamos – Gill, muito obrigada por estar com a gente hoje. Estou certa de que existem muitas mães no Brasil ansiosas para conhecer você melhor e ouvir as suas ideias. Ainda não temos uma versão em português do seu livro e estamos aqui, esperando ansiosamente por ele.

Eu adoraria que você contasse um pouco sobre como o Baby Led Weaning (BLW) entrou na sua vida. Vi no seu livro que você fez um mestrado sobre isso, e que você visitou muitas famílias durante mais de 20 anos para falar de nutrição infantil. Você também tem três filhos. Então conte para a gente em quais destas áreas da sua vida o BLW começou. Se foi no seu trabalho, na sua vida pessoal com seus filhos, ou em seus estudos.

Gill Rapley – Foi mais no meu trabalho que o BLW começou. Visitando famílias em suas casas e em clínicas, damos informações sobre como alimentar os bebês, e sono, e várias outras coisas. Eu conheci muitas famílias que estavam com dificuldades de introduzir alimentos para seus bebês. Geralmente era fácil no começo, a alimentação era introduzida por volta dos quatro meses de idade. Alguns achavam difícil, era com a colher, e o bebê não queria comer alguns alimentos, e ficava muito difícil.

E eu descobri que deixar os bebês se alimentarem sozinhos era a resposta. Parecia que os bebês não estavam rejeitando a comida, mas rejeitavam o que estava acontecendo com eles.

Isso era na década de 1980 e vi algo similar com meus próprios filhos, mas como naquela época achava-se que era preciso dar comida a partir dos quatro meses, não pude fazer muita coisa a respeito. Eu sugeria aos pais apenas que, assim que o bebê quisesse se alimentar sozinho, eles deveriam deixar.

E, adivinhe, por volta dos seis meses isso acontecia! Então a idade para introdução alimentar mudou, agora sólidos não são recomendados antes dos seis meses. E tudo fez sentido.

E dissemos, vamos começar assim, não vamos começar com papinha, não vamos esperar isso ser um problema antes de deixar os bebês comerem sozinhos. Vamos deixar que comam sozinhos desde o começo. E parece que os bebês sempre souberam que é assim que se faz, e levamos tanto tempo para perceber isso.

É importante eu deixar claro que não inventei BLW, eu apenas descrevi e dei um nome, mas os bebês sempre souberam! Eu me sinto um pouco como aquele conto de fadas em que o garotinho aponta para o rei e grita que ele não está usando roupas. Me sinto como ele, apontando para algo tão óbvio, mas que não conseguíamos ver.

Maternamos – Você usou este método com seus filhos também, ou na época era muito cedo?

Gill Rapley – Era muito cedo, meus filhos nasceram em 1980, 1982, 1984. Deixei que se alimentassem sozinhos assim que eles mostraram que queriam, mas também comecei a oferecer comida aos quatro meses porque esta era a recomendação na época. Acho que eu era muito tranquila a respeito. Acho que percebi o que muitos pais descobriram, especialmente pais com mais de dois filhos. Eu não me lembro de ter introduzido sólidos para minha filha. Ela deve ter feito isso sozinha.

Com certeza não me incomodei muito com comida aos 4 meses apesar de ser recomendado, porque a recomendação era 4 a 6 meses. Então eu estava mais tranquila, deixei ela me mostrar quando ela estava pronta. Até onde me lembro, ela fez sozinha, não me lembro de alimentá-la com a colher.

Maternamos – Gill, você disse que não inventou o método, que ele já existia. As pessoas faziam, mas você diz no seu livro que ninguém falava sobre isso. Por que agora as pessoas falam sobre isso? Seu livro influenciou as pessoas a falarem sobre isso? O que mudou?

Gill Rapley – Acho que era difícil falar sobre isso na época porque não havia um nome para o método. As pessoas não sabiam do que estavam falando. Faziam o jeito tradicional ou de outro jeito, mas não havia forma de descrever o que estavam fazendo. Também a recomendação era começar a alimentação antes de 6 meses, e antes disso não é possível para os bebês comerem sozinhos, então ninguém conseguia começar desta forma.

Hoje, com a inteRnet, as pessoas estão mais informadas e compartilham mais suas ideias, e trazem ao domínio público e querem discutir os assuntos. Antes as mães que não seguiam o método tradicional eram um pouco isoladas, talvez sentiam que não estavam fazendo a coisa certa, não ousavam contar aos seus profissionais de saúde o que estavam fazendo, e apenas ficavam quietas.

Maternamos – Como foi sua ideia de escrever este livro, como você decidiu fazer isso? Pode contar um pouco pra gente deste processo de decisão?

Gill Rapley – Ok. O livro veio um pouco tarde sob o ponto de vista do Reino Unido. O BLW já estava ficando popular no Reino Unido e começando a se espalhar na internet bem antes do livro ser publicado. Eu pensava em publicar o livro mas não tinha planos de fazer isso.

Mas comecei a ver que algumas das discussões sobre BLW eram… algumas pessoas estavam descrevendo algumas coisas com as quais eu não concordava. Algumas coisas que eu via em vídeos e fotografias na internet eram até mesmo perigosas. Por exemplo, introduziam comida aos quatro meses e às vezes levavam a comida à boca do bebê, pensando que ele não conseguia fazer e deveria ser ajudado. Quando na verdade o fato de que ele não conseguia segurar sozinho indicava que ele não estava pronto.

Então eu senti que era importante documentar o que BLW realmente era, em parte para ajudar as pessoas a fazerem com segurança e entenderem o método, mas também para minha propria proteção, porque meu nome já estava associado ao método, e eu não queria ser responsabilizada por nenhum dano que pudesse acontecer a um bebê.

Eu tive a sorte de conhecer a Tracey Murkett, porque eu não estava conseguindo escrever o livro. Ela me procurou, como você fez, ela era jornalista e disse que queria escrever um artigo para uma revista sobre BLW. Fizemos uma entrevista e ela me perguntou “você gostaria de escrever um livro?”. Eu disse “eu adoraria. Você gostaria de escrever um livro comigo, Tracey?” Ela disse, “oh, talvez, sim”. Então nos encontramos, e o resto é história. Viramos amigas e colegas, e escrevemos bem juntas porque complementamos os estilos uma da outra. O livro ficou melhor do que ficaria se eu tivesse feito sozinha.

Maternamos – Vou perguntar uma coisa que ficou na minha cabeça quando procurei por você na internet. Você pretende se comunicar mais com as pessoas online, ter uma página no Facebook, um site mais interativo? Você quer se conectar mais online ou seu livro já é o suficiente e você não pretende fazer mais comunicação sobre isso?

Gill Rapley – Eu fico um pouco nervosa sobre fazer muita coisa na internet porque sei que poderia ficar 24 horas por dia fazendo isso. Isso é bem possível. Eu sou professora, tenho que escrever, faço muitas apresentações em conferências.

Tem duas coisas que acontecem quando me comunico pela internet. Eu já recebo muitos emails e sempre respondo pessoalmente. Gosto de fazer isso e quero continuar fazendo. Mas algumas pessoas procuram conselhos pessoais para seus filhos e não posso fazer isso. E também eu não quero responder todas as perguntas sobre BLW porque não sou necessariamente a especialista.

Lembre que não inventei o método, dei um nome, estudei muito, mas os verdadeiros especialistas são aqueles que estão fazendo. E prefiro que as mães aprendam umas com as outras e compartilhem suas ideias. Às vezes eu olho em sites e pego ideias também. Mas não quero ser vista como a especilista ou a dona… Não quero parecer criteriosa demais… Não é algo que pertence a mim, pertence às pessoas. Isso vai soar um pouco egoísta. Mas não quero ficar horas e horas respondendo perguntas cujas respostas estão no meu livro.

Maternamos – Você mencionou que seu livro já foi traduzido para 16 idiomas, e espero que seja traduzido também para o português. Mas gostaria de saber como está indo em todo o mundo, tem mais mães interessadas? Como está indo?

Gill Rapley – Não posso ter certeza. Eu não sei. Obviamente as pessoas que estão fazendo isso tendem a entrar em contato comigo então penso que todo mundo deve saber dele, mas não é todo mundo. Mas o fato de que eu recebo mais e mais contatos de pessoas de países diferentes, isso me diz que está se espalhando. Recentemente recebi alguns emails de pessoas no Brasil, então sei que há interesse aí. Por isso falei com minha editora para tentar encontrar uma editora em português, porque seria ótimo.

Mas o primeiro país em que o BLW ficou popular foi a Holanda, e o livro até hoje não esta disponível em holandês, provavelmente é porque eles falam bem o idioma inglês. Mas geralmente primeiro o BLW se espalha no boca a boca dos pais, e depois o livro vem em seguida. Acho que tem sido assim na maioria dos países.

Maternamos – Existem mais estudos a serem feitos sobre BLW? Pergunto porque no Brasil muitos médicos, pediatras, têm medo de fazer e aconselhar sobre isso… Você pretende estudar mais este assunto?

Gill Rapley – Existe mais interesse na comunidade científica a respeito. É por isso que fico muito feliz que a internet seja tão poderosa em compartilhar ideias, porque forçou os pesquisadores e profissionais a se interessarem pelo assunto. Se eu tivesse seguido outro caminho e tentado convencer os profissionais primeiro, acho que teria demorado muito mais para a ideia se espalhar.

É importante lembrar a todos que as pessoas sempre fizeram isso em todo o mundo, mas como não tinha um nome, ninguém reconhecia isso. Então um pesquisador me disse que se fosse perigoso, nós já saberíamos! Mas não há evidência.

Eu acabei de terminar minha pesquisa de PhD e vou publicar. Comparando a alimentação com a colher e auto-alimentação para ver qual é a diferença para o bebê. Mas não há evidência para apoiar a alimentação com colher. Para bebês que conseguem se alimentar, pegar comida e mastigar, não há evidência para apoiar a alimentação com colher ou papinhas.

Então, quando falamos da necessidade de pesquisas e evidências antes de recomendar BLW, na verdade precisamos olhar para as papinhas. Temos que lembrar. Só porque o BLW parece novo, devemos lembrar que não é algo novo, é o que os bebês na verdade fariam. Tantos pais me falam, “meu bebê pegou algo do meu prato”. Sim! Claro! É exatamente assim que funciona. Se alguma coisa precisa ser justificada deveria ser a alimentação com colher.

Não temos que justificar a amamentação, que é algo normal e biológico, na verdade é a fórmula infantil que precisa da pesquisa e da justificativa. Acho que devemos olhar para o BLW da mesma forma. É como se decidissem não deixar os bebês andarem e empurrassem os bebês para lá e para cá em andadores ou carrinhos e alguém dissesse: veja! Eles podem andar! E alguém dissesse, temos que fazer uma pesquisa a respeito. Na verdade é o contrário!

Maternamos – Você mencionou que está prestes a publicar um estudo, vai ser um livro?

Gill Rapley – Sim, é o resultado do meu doutorado, fiz uma grande pesquisa para meu PhD. Provavelmente não será um livro, pode até ser, mas devem ser artigos para publicações profissionais para que pediatras e enfermeiras possam ler sobre o que eu descobri.

Maternamos – É sobre o mesmo assunto do seu livro? É sobre BLW?

Gill Rapley – Em partes. Acho importante explicar que BLW não é apenas a respeito de bebês comerem sozinhos, não é apenas um método, é uma abordagem. É sobre bebês compartilhando as refeições da família, podendo comer, fazer suas próprias decisões e os pais confiando nos seus bebês. BLW é tudo isso. Comer sozinho é apenas uma parte disso. Minha pesquisa de PhD é uma comparação entre a alimentação com a colher e o bebê comendo sozinho, com as mãos.

Eu apenas observei se a alimentação com as mãos é uma experiência diferente de ser alimentado com uma colher. Parece óbvio que sim, mas ninguém tinha estudado isso antes ou escrito a respeito. Descobri que são duas experiências totalmente diferentes para o bebê. E preciso agora documentar exatamente as diferenças e publicar esta informação. Parte da minha tese que tenho que escrever para meu doutorado, escrevi 100 mil palavras sobre a diferença entre alimentação com colher e comer sozinho e falei um pouco de BLW. Mas as observações que fiz dos bebês eram sobre o tipo de alimentação, não olhei para toda a alimentação familiar.

Maternamos – Quando este estudo será publicado?

Gill Rapley – Eu não sei. Preciso escrever vários artigos, mandar para publicações, e devem ser revisados. Não deve ser apenas um estudo, mas vários artigos, ao longo do próximo ano, espero. Algumas publicações são rápidas, outras levam meses e meses para revisar artigos.

Maternamos – Gill, os pais aqui no Brasil têm muito medo do engasgo e muitas pessoas não fazem BLW por medo de engasgo, acho que é o maior temor aqui. Você explica no seu livro que é mais provável um bebê engasgar com papinha, na fase de transição para os sólidos, do que um bebê que sempre se alimentou sozinho. Você pode explicar isso para meu público?

Gill Rapley – Não há evidências de que os bebês precisam de alimentos de transição. Bebês conseguem engolir líquidos quando nascem, depois ficam aptos a mastigar, eles não aprendem, mas se desenvolvem e ficam aptos a mastigar. O que acontece quando mastigamos é que fazemos uma papinha com a comida. Todos nós comemos papinha porque fazemos papinha nas nossas bocas. Se os bebês fazem papinha na boca, eles não precisam de papinha. As pessoas pensam que papinha é seguro, mas bebês podem perfeitamente engasgar com papinha, isso acontece.

De fato existem pesquisas que ainda não foram publicadas que podem mostrar que não é mais provável engasgar com comidas mastigáveis do que com papinhas. Na verdade pode ser o contrário. Muitas das nossas crenças são baseadas… acreditamos que os bebês têm risco de engasgo porque vimos engasgo acontecer.

Uma das coisas que vi quando visitava as famílias, muitos anos atrás, eram bebês engasgando com comida em um segundo estágio, que eram papinhas com pedaços de comida. Na época eu não entendia, mas hoje eu entendo, eles estavam usando uma ação de sugar, e levando aqueles pedaços para o fundo da garganta e isso os fazia engasgar. Você tem menos chance de engasgar se você morde um pedaço do alimento, fica com ele na parte frontal da boca, e você pode controlar e mastigar.

Aumentamos o risco de engasgo se distraímos os bebês enquanto comem, e mesmo assim, em todos estes anos, o que fizemos? Brincamos, fizemos bebês rirem para que abrissem a boca e colocássemos a colher dentro.

Não há evidência de que permitir que bebês ditem o ritmo da sua alimentação e fiquem em controle do que entra na sua boca aumente o risco de engasgo. Na verdade, possivelmente reduz o risco.
Basta você, adulto, pedir para outra pessoa te alimentar para descobrir o quanto é mais dificil controlar a comida na sua boca, se não foi você que colocou a comida lá dentro.

Temos que superar a ideia de que os bebês vão engasgar se não os protegermos. Eles podem proteger a si mesmos. O que aumenta o risco é tomar o controle e não dar tempo para que eles coordenem a respiração com a mastigação. Se apressarmos, distrairmos. Uma das regras de outro do BLW é que apenas o bebê pode colocar comida na sua boca.

Se colocarmos na boca dele, ele pode não estar pronto para administrar. Se ele não pode alcançar e pegar, ele provavelmente não está pronto para mastigar também. É assim que os bebês se mantêm seguros.

O que está por trás deste medo do engasgo é que, na verdade, as pessoas notam que os quando os bebês começam BLW, eles em geral não comem muita comida no começo. Eles lambem, examinam, eles podem morder um pedaço e mastigar, mas a comida costuma cair da boca. Isso é o bebê demonstrando que precisa ter familiaridade com a comida antes para que seja seguro.

Quando apressamos e aceleramos as coisas, é aí que têm mais chance de engasgar. Na verdade não há evidência de que o risco de engasgo é maior com BLW, e pode ser o contrário. Quero lembrar às pessoas, principalmente quem não leu o livro, de que é muito importante que o bebê esteja sentado reto, consiga pegar a comida, e fique em controle do que entra na sua boca, então ele estará seguro.

Maternamos – Aqui algumas pessoas são bastante severas em relação à dieta, e com isso muitas vezes a dieta do bebê é diferente do restante da sua família. No seu livro você diz o contrário, que a criança deve comer a mesma comida que a família. Então, como os pais devem escolher o que eles oferecem ao bebê, e ainda conseguir oferecer o mesmo para o restante da família?

Gill Rapley – Algumas pessoas me dizem que é melhor para o bebê comer uma comida separada porque a dieta da família não é apropriada, talvez porque tem muito sal ou açúcar. Então eu digo, em qual idade será possível para criança comer com o resto da família? Quando tiver um ano, dois ou três anos? Em algum momento a comida da família terá que ser levada em consideração.

Se os pais preparam para a família comida que é apropriada para o bebê, eles podem comer também. Olhar de um outro ângulo, em vez de pensar se o bebê pode comer o que eles estão comendo, cozinhar de uma forma que o bebê possa compartilhar.

Às vezes a família pode comer algo pronto, como pizza ou comida congelada que não seja adequada para o bebê, ok. Neste caso o bebê pode ter que comer algo diferente. Mas na maioria das vezes, se aprenderem a escolher comida que toda a família pode comer, será melhor.

Isso porque o bebê se sente incluído e também porque os bebês aprendem observando o que os adultos fazem. Eles aprendem quais comidas são seguras e qual será o sabor observando as outras pessoas comendo e então eles mesmo comem.

Quando eles são introduzidos à mesma comida do resto da família, eles podem até recusar, porque não reconhecem e não sabem o que é. Muitas das recusas de alimentos que vemos acontecem na idade em que os bebês mudam de comida para bebê para a comida na família. Se eles compartilhassem desde o começo não teríamos este problema.

A maior parte da cautela com que introduzíamos comida no passado era porque aos 4 ou 5 meses eles ainda são muito imaturos e seus corpos não estão prontos para uma variedade de alimentos. Mas aos 6 meses a maioria dos bebês conseguem comer todos os grupos alimentares. Não há razão para tomar cuidado com nenhum alimento só porque é o começo. Você usou a palavra “oferecer”. Temos que oferecer comida para os bebês e não dar comida.

Os bebês têm uma capacidade impressionante de se manterem seguros. Ouvi uma história incrível recentemente de um rapaz que aos 15 anos descobriu ser alérgico a castanhas. E ninguém sabia, sua família não sabia. Só foi descoberto porque ele comeu um biscoito que a namorada fez para ele. Ele foi parar no hospital, ficou muito doente, ele teve uma reação séria.

E ele disse, “eu não deveria ter comido aquele biscoito, ele não tinha um cheiro bom”. E na verdade, desde que ele era pequeno, ele sempre tinha cheirado sua comida para verificar o cheiro. Ele não sabia o que ele estava procurando, ele apenas sabia que alguns alimentos não eram bons e que não deveria comê-los. Por sorte, sua mãe nunca o forçava a comer alimentos que ele não queria comer. E ele conseguiu manter-se seguro por 15 anos com esta alergia séria.

Esta para mim é uma história incrível e acho que devemos ouvir o que os bebês estão tentando nos dizer. E, claro, se eles puderem aprender novos alimentos, um por vez. Não quero dizer um alimento por três dias e depois outro, mas ter vários alimentos no seu prato separadamente, que eles possam pegar e provar em separado, eles vão saber muito mais cedo se têm algum problema com um alimento especifico.

O que acontece, pelo menos aqui no Reino Unido, é que os bebês recebem uma refeição toda amassada com tudo misturado, carnes, vegetais, tudo junto. Como alguém vai poder saber qual é o sabor e se tem algo que o bebê deveria evitar? Não tratamos os bebês com respeito quando misturamos tudo e enfiamos nas suas bocas.

Maternamos – Gill, eu gostaria que você mandasse uma mensagem para minha audiência de mães brasileiras, o que você gostaria de dizer para elas?

Gill Rapley – Fique aberta para a possibilidade de que seu bebê seja muito mais esperto, forte e confiável do que você talvez imaginou. Você pode confiar que ele sabe o que precisa e você pode permitir que suas habilidades e seu nível de desenvolvimento digam se ele está pronto. Você não precisa tomar estas decisões baseadas em um calendário, na idade dele.

Se você colocar comida na frente dele e ele conseguir pegar e levar à boca, ele está pronto para começar. Um dos problemas que temos são as palavras que usamos. Começar sólidos quando se está fazendo BLW não significa que o bebê vai comecar a comer logo, mas que vai começar a explorar, experimentar, e conhecer a comida. E esta é uma parte importante para ele se sentir confiante.

Então, eu recomendaria, leia sobre BLW quando puder, sei que é difícil, mas sei que tem páginas de Facebook e sites sobre BLW. Encontre o que puder, se assegure de que o bebê está sentando ereto, está comendo com outras pessoas, ofereça comida saudável e relaxe. Deixe que o bebê mostre o que ele ou ela pode fazer porque os bebês são muito espertos e sabem o que precisam.

Maternamos – Gill, muito obrigada, estou honrada por ter você no meu site, falando para mães brasileiras, e espero falar com você novamente. Espero que você venha para o Brasil para dar uma palestra, e eu estarei lá, por certeza.

Gill Rapley – Ótimo! E se alguém assistindo este vídeo tiver contato com uma editora que tenha interesse em publicar o livro em português, precisamos que isso aconteça rapidamente. Muito obrigada.

Maternamos – Obrigada Gill!

Comments ( 7 )

  • Bruna Suelen

    ooo coisa linda <3

  • Fernanda

    O q eu tava precisando ler pra me empoderar!!! Obrigada maternamos!!!

  • Anônimo

    Muito esclarecedor! Adorei a entrevista!

  • Larissa Frazão

    Entrevista maravilhosa! Útil e esclarecedora. Obrigada!

  • Daniela

    Parabéns pela iniciativa da entrevista e principalmente por divulgá- la em seu site sem custo algum, não fazendo como vários sites em que é necessário pagar pelos vídeos ou para baixar artigos.
    A entrevista é ótima é muito esclarecedora, ainda não li o livro e fiquei mto empoderada em ler e iniciar o método com minha bebê.
    Obrigada!

    • maternamos
      Maternamos

      Oi Daniela! Obrigada! Fico feliz que tenha gostado. Tento divulgar bastante coisa gratuitamente. Mas procure entender que às vezes eu e outros profissionais digitais precisamos cobrar por alguns serviços e produtos, pois precisamos também pagar as contas. Somos trabalhadores como os outros. Beijos Natalia

  • Thamyris

    Meu Deus! Alguém arruma uma editora pra ela! kkkkk
    Amei ♥♥♥
    Sou estudante de nutrição e estou fazendo meu TCC sobre BLW!!!
    Artigos científicios ainda estão escassos, o BLW não tem nem 10 anos de história e a gill e a mestra!
    Obrigada pelo post! ;***

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