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Maternamos entrevista o Projeto Dentro do Peito

Em plena Semana Mundial de Aleitamento Materno, eu gostaria de compartilhar com vocês um projeto belíssimo que registra e homenageia mães e seus bebês em aleitamento. Da fotógrafa Michele Pires, de Maringá (PR), o projeto Dentro do Peito busca histórias inspiradoras para fotografar diferentes facetas da força feminina. Ela está no meio de uma série de 12 relatos, e selecionei alguns para vocês conferirem.

Pela minha própria vivência, sei o quanto as mães que amamentam enfrentam uma oposição enorme da sociedade e até mesmo da família. E o mais louco é que enfrentamos conflitos internos durante o processo também. Nada melhor que uma sensível homenagem para dar mais forças a quem deseja seguir neste caminho que pode ser doce e amargo, solitário e aconchegante, cansativo e revigorante, tudo ao mesmo tempo!

Confira a conversa que tive com a Michele!

Maternamos – Como surgiu a ideia de começar este projeto? 

Michele – Eu participo de grupos virtuais de apoio à amamentação há quase dois anos. Todos os dias, enfrentamos muitos desafios e percebi a necessidade de mostrar às mães, de alguma forma, que as dificuldades existem e podem ocorrer de diversas formas. Eu já havia fotografado mães amamentando profissionalmente e pensei que unir uma imagem e um relato poderia atingir mães que estão nessa fase tão delicada e importante da vida!
A ideia do projeto surgiu da união entre o amor pela fotografia e pela amamentação. A intenção é mostrar que é possível vencer!

Maternamos – Qual é a sua história com a amamentação? Pode contar um pouco da sua vivência e de que forma isso te inspirou?

Michele – Há dois anos e sete meses nascia meu filho e eu me vi cheia de dúvidas, medos e dificuldades. Já na maternidade do hospital bateu o desespero. Francisco nasceu pequeno, dormia muito tempo e não pegava muito meu seio. No dia da alta, ouvi da pediatra que não conseguiria amamentar meu filho por muito tempo. Ela simplesmente saiu do quarto e me deixou chorando com uma receita de remédio para cólicas na mão. Eu, sem forças, em pleno início do puerpério, não respondi, só chorei. Em uma visita a outro médico, recebi uma receita de um remédio para aumentar meu leite. Ignorei.
Meu sonho era amamentar exclusivamente até o sexto mês e, depois, prolongadamente até pelo menos 2 anos. Eu não aceitei o veredito da pediatra. Minha decisão foi amamentar, recusar complementação, confiar no meu corpo. Meu leite demorou para descer, ficamos alguns dias no colostro, lutando, como todas as mulheres, contra fissuras, dores, noites em claro. A livre demanda para mim foi minha lei maior.
A entrega aconteceu no meu coração e na minha mente. Eu já não me importava em não dormir ou com a dor. Eu estava realizando o meu sonho de ofertar o líquido sagrado ao meu filho.
No processo tive ductos obstruídos e fiz restrição de leite e soja, pois meu pequeno era alérgico e reagia a essas proteínas via leite materno. Aquela pediatra não me deu o que encontrei em um grupo de mães de Maringá: APOIO. Já são dois anos e sete meses amamentando!
Eu jurei que não importa qual fosse a dificuldade, seria grata por amamentar. Tivemos dias difíceis como qualquer mãe e filho, já sorri e chorei ao mesmo tempo. Já mordi panos para a dor diminuir.
Depois de uns meses, a amamentação não era mais sobre dores, era só mesmo sobre entrega e felicidade. No isolamento de horas amamentando, eu descobri um tesouro: o apoio entre mulheres. Em grupos da internet, conversávamos por muito tempo, desnudando dificuldades, alegrias, contruí laços, me senti parte de uma comunidade. Nasceu em mim a ativista. Nasceu em mim a fotógrafa de mães e famílias. Essa força feminina me inspirou. Eu senti que tinha o dever de contribuir com as histórias incríveis de mulheres que conheci.

Maternamos – Como você escolhe seus personagens? O que mais procura ilustrar ao retratá-los?

Michele – As personagens são mulheres que conheci na caminhada dos grupos de apoio à amamentação. São histórias de superação, com desafios que, muitas vezes, não sabíamos lidar. Algumas me foram apresentadas por outras mães.
Eu sempre pergunto como elas querem ser retratadas, onde e quais poses. Elas têm a ideia da foto e escrevem livremente seus relatos. Eu sou apenas um canal dessas histórias. As minhas lentes são espectadoras de uma história.

Maternamos – Qual é o principal objetivo do projeto?

Michele – Nós queremos dar força para outras mulheres; mostrar que somos mães de bebês reais, que choram, que não dormem o dia todo, que mamam por horas a fio. Nossa intenção, minha e das participantes, é mostrar que vale a pena superar cada obstáculo, porque os louros que colhemos são incalculáveis. Na amamentação, os ganhos em saúde são infinitos! Há uma grande transformação da mulher também, pois é preciso se desconstruir e reconstruir a cada dia, quebrar mitos e remar contra a maré. Nossa intenção é mostrar que no final, o arco-íris é o sorriso do bebê aconchegado no peito.

Maternamos  – O que você tem aprendido com as histórias que fotografou? Pode contar um exemplo de alguma história que mexeu muito com você?

Michele – A cada história, uma emoção diferente, um aprendizado. Percebo que as mães são mestres em superação, entrega e simbiose. A ligação entre dois corpos que habitaram o mesmo espaço durante a gestação será eterna, independente da amamentação, é claro, pois amor de mãe é algo universal. Porém, a mãe que decide amamentar, seja qual for a circunstância, sempre guarda alguma luta externa, interna, ou as duas coisas.
Todas as histórias mexem comigo, mesmo porque, na maior parte, conheço as mães desde o início.
Conheci recentemente uma mãe de gêmeas que venceu uma amamentação exclusiva, literalmente, peitando a sociedade e pediatras. Atualmente ela trabalha fora, as meninas acordam várias vezes à noite, como grande parte dos bebês, e ela permanece firme! Claro que bate o cansaço, mas é incrível como a mulher é uma fênix a cada manhã.

Maternamos – Quais são seus planos? Pretende editar um livro?

Michele – Inicialmente, a ideia é terminar o projeto em dezembro, quando se completarão 12 relatos. Ainda não pensei sobre um possível livro. Talvez seja um projeto para o próximo ano. Meu desejo é divulgar mais essas histórias lindas e de mães reais e continuar nos grupos de apoio!

Maternamos – Gostou desta entrevista? Então compartilhe! Confira o trabalho completo do projeto da Michele na fan Page Dentro do Peito, no Facebook.

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