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Meu bebê não é meu

Eu entendi que meu filho não é meu. Que nem os 9 meses de barriga nem o 1 ano de dedicação exclusiva, nem meu amor mais profundo do mundo por ele, fizeram o meu filho ser meu. Ele é do pai. Da avó. Da professora. Ele é do coleguinha. Ele é de quem ele vai encontrar pela vida. Embora ele seja o amor da minha vida, certamente eu sou apenas o primeiro amor da vida dele, por mais importante que seja o nosso vínculo.

E nossa, que dolorido foi entender isso. Porque no começo, vivemos uma fusão tão grande com a nossa cria, que parece que ser mãe é ser tudo. Pensamos que somos o mundo todo do bebê, e por alguns meses a ilusão se mantém. Não precisa de muito – apenas um olhar mais curioso da criança para o mundo, um interesse maior pelos alimentos, uma pequena independência – para que a verdade se coloque para nós.

E a gente olha com imensa preocupação e medo, se perguntando se o mundo é mesmo um lugar seguro; se podemos deixar ir; se tudo bem passar três horas com a avó; se pode ir no colo da tia. Ao mesmo tempo, respiramos um pouco aliviadas a possibilidade de ser uma pessoa inteira de novo. Uma mãe, uma mulher, com cabelos lavados e 5 minutos de paz.

A vida, que não é boba nem nada, fica brincando neste leva e traz por um tempo. Bebê fica, bebê vai, mamãe sente saudade, mamãe se acostuma um pouco. E o bebê vai deixando de ser apenas um bebê – extensão da sua mãe – e começa a ser a pessoa que ele foi feito para ser. É fácil ver que é uma pessoa diferente da mãe. Gosta de goiaba, gosta de música, gosta de bagunça, não gosta de usar sapato, fica bravo com bronca. A cada dia se mostra, se define e se estabelece neste mundo.

E silenciosamente, a dor da mãe vai ficando menor, pois ela entende que a sua função é ser porto seguro. Não para prender o barquinho no porto, mas para ser o lugar de retorno, o ponto de referência, na hora em que a brincadeira perder a graça e der vontade de ficar em casa. No colo, no peito. Quando só a mamãe sabe acalmar, com um amor que nutre e liberta, desejando só coisas boas para o outro (como todo amor deveria ser).

E quando isso acontece, o papel da mãe é aproveitar, pois vai chegar um dia em que este retorno vai ficar guardado no coração, mas não vai ser mais uma necessidade. E entender, da forma mais generosa possível, que nosso coração pertence ao filho, sem que ele pertença a nós. O filho pertence ao propósito que o trouxe aqui. Seja ele qual for.

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