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O cordão do coração

Quando o umbiguinho do meu filho caiu, por volta do oitavo dia de vida, senti uma emoção muito grande, uma tristeza, porque ali terminava a nossa ligação física e concreta. Já não havia mais barrigão, nem placenta, nem um restinho de umbigo. Para me consolar, meu marido dizia que aquele cordão tinha sido substituído por um cordão invisível que ligava meu coração ao do bebê. Tão lindo pensar assim, e era verdade.

Alguns dias antes, quando meu filho estava para nascer, eu chorava só de pensar que ele não ia mais morar dentro de mim e seríamos duas pessoas independentes. Também foi assim quando eu o deixei pela primeira vez com a avó para sair com meu marido. Ou quando a primeira leva de roupinhas deixou de servir.

No meio de toda a felicidade que é ter um filho, vivemos várias pequenas rupturas. A primeira grande ruptura é o parto, mas depois tem muitas pequenas rupturas imprevistas. E eu vivi os primeiros meses com medo delas, me preocupando com o que já tinha sido e não seria mais. Mas por sorte não eram apenas rompimentos que me esperavam.

Logo eu presenciei meu bebê aprender a sorrir, depois a reparar no mundo à sua volta, e a reconhecer a mamãe. O bebê aprendeu a sentar, a comer, a gargalhar e fazer palhaçada.

E hoje, olha só, ele saiu engatinhando pela primeira vez.

Mas dessa vez eu não fiquei triste porque o prazer de ver um filho desabrochar é até agora o maior que eu já tive na minha vida. A cada aprendizado fica melhor. E o cordão invisível, mais forte.

 

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