Porque eu escolhi um parto natural e ativo | Maternamos
maternamos-porque-escolhi-um-parto-natural-e-ativo

Porque eu escolhi um parto natural e ativo

Por que será que alguém escolhe parir, sentir dor, sem saber a data certa em que o bebê vai nascer? Por que alguém faz isso quando pode escolher um método menos “sofrido” e menos incerto, com data e hora marcadas? Vou explicar porque eu optei por um parto natural e ativo e talvez isso ajude você que está passando por essa dúvida hoje.

Mesmo antes de engravidar, eu tinha uma inclinação ao parto normal. Não conhecia o tema a fundo, mas achava que fazia sentido “tentar” parir. Digo tentar porque existe um mito de que o parto normal é uma raridade, algo muito difícil de ser feito e pode apenas ser “tentado”.

Quando chegou minha vez de ser mãe, comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que a palavra-chave que deveria usar nas buscas do Google era “parto humanizado”. Foi assim que descobri quais médicos obstetras seriam bacanas para mim na minha cidade. Naquele momento eu vivia em São Paulo capital, e mesmo assim a lista de médicos humanizados não era muito grande. Uni-duni-tê, escolhi a doutora Déborah Klimke porque li relatos muito bacanas de mães que tinham parido com o auxílio dela.

A doutora Déborah nos recebeu sem fazer nenhuma apologia ao parto natural e indicou a leitura de vários livros que eu devorei: Nascer Sorrindo (Frederick Leboyer), Parto Ativo (Janet Balaskas), Quando o Corpo Consente (Marie Bertherat, Thérese Bertherat e Paule Brung), A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra (Laura Gutman).

Bom, para começo de conversa, o livro Nascer Sorrindo já foi o suficiente para me mostrar qual caminho eu devia seguir. Ele nos conta que a imagem que temos dos bebês nascendo de olhos fechados e chorando, totalmente desconfortáveis, é uma construção da nossa sociedade. Nos acostumamos a pensar que é normal nascer assim, mas não é. É possível sim nascer de olhos abertos, com o rosto tranquilo e até mesmo sorrindo. Depende apenas da forma como nós, adultos, vamos receber esta criança aqui fora.

Depois de ler este livro, ficou difícil não me encantar pela possibilidade de parir. Eu fiquei morrendo de vontade de ver meu filho nascendo assim. Sem choro, sem pressa. Com amor.

E depois o livro Parto Ativo me mostrou que existem posições mais favoráveis para parir, e que aquela clássica imagem da mulher parindo deitada (tão comum nos filmes) também é um mito que nada favorece o parto natural. As posições verticais, na verdade, são as mais favoráveis para o nascimento e também ajudam a mulher a sentir menos dor.

Com o passar do tempo, quanto mais eu aprendia sobre o parto, mais eu queria saber. E busquei relatos, vídeos, e mais livros… O livro Parto com Amor (Marcelo Min, Luciana Benatti) é muito legal e traz vários relatos diferentes de partos em casa, no hospital e em casa de parto. Ah, claro, o documentário Renascimento do Parto também me ensinou bastante. Foi bacana porque meu marido assistiu comigo e ele também passou a desejar um nascimento humanizado para nosso bebê.

O que mais me fascinava era permitir que meu filho nascesse no tempo dele, quando ele quisesse. Eu não queria de jeito nenhum tirá-lo de mim antes da hora. Eu sentia que se eu fizesse isso eu estaria expulsando ele do meu corpo, e eu não queria isso.

Além de ser mais gentil, o nascimento natural permitiria que o sistema respiratório do bebê estivesse realmente pronto para nascer. Só depois dessa maturidade o trabalho de parto iria começar. Não era modinha, não era mandinga. Era um fato científico.

Descobri ainda que o bebê continuava a respirar pelo cordão umbilical depois do nascimento, e só após alguns minutos ele passava a respirar pelo nariz. Por isso o cordão não deveria ser cortado antes de terminar de pulsar… E aprendi também que vários procedimentos considerados “normais” após o nascimento, como medição, aplicação de nitrato de prata, aspiração, podiam ser abolidos em muitos casos. O importante é o bebê ir diretamente para o seio da mãe…

Ficou claro para mim que dificilmente uma mulher não consegue ter dilatação do colo do útero, mas que é raro encontrar um médico que saiba esperar. É normal que o trabalho de parto aconteça depois das 40 semanas de gestação. E curioso, a primeira médica que eu havia conversado (antes da Dra Déborah) havia me dito que ela só esperava até a 40ª semana, e depois disso faria uma cesárea. Se eu tivesse ficado com ela, teria dançado, pois meu bebê nasceu às 41 semanas e 3 dias. Existem muitas desculpas que os médicos dão para te convencer a fazer uma cesárea. Pesquise e descobrirá que isso é verdade! Cordão enrolado no pescoço é uma bastante comum.

E a história de que a perereca fica frouxa? Mito, tudo volta ao normal com o tempo. E o causo daquele corte que fazem no períneo (episiotomia)? Também uma construção da medicina. Existem formas de preparar o períneo para o parto (veja este post aqui) e existem médicos que não fazem episiotomia de rotina!

Você pode me perguntar, poxa, para descobrir isso você precisou mesmo ler tantos livros? Sim, este foi o meu caminho porque acredito que informação é poder. Poder sobre meu corpo, minha vida e do meu bebê. Hoje existem formas de aprender sobre nascimento sem precisar ler todos os livros, como este site aqui e tantos outros. Mas se você quiser escolher apenas um livro para ler, leia o Nascer Sorrindo.

Depois de aprender tudo isso, eu descobri que não é tão fácil ter um parto assim no Brasil. Então eu precisava correr atrás da parte prática e lutar pelo meu parto. Ver meu filho nascer sorrindo, ou ao menos nascer em paz, tornou-se um sonho para mim.

Para te ajudar a refletir sobre tudo isso, deixei abaixo um vídeo que mostra um banho relaxante em um bebê recém-nascido. Veja como ele ainda age como estivesse na barriga da mãe… Veja como este ser pequeno e indefeso precisa ser tratado com respeito e carinho quando chega ao mundo.

(Este relato continua…)

Comments ( 3 )

  • Morgana

    Esclarecedor e belo!

    • maternamos
      Maternamos

      Obrigada Morgana!! <3

  • Adriana

    Que vídeo lindo, to quase chorando com o banho delicioso desse bebê.

Post a Comment