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Pra ser feliz? Comece por aquilo que você não quer

Quando a gente pensa em felicidade, bem estar, etc, costuma logo pensar nas coisas que a gente deseja ter, vivenciar e sentir. Mas a coisa mais interessante que descobri nos últimos tempos é que o nosso bem estar também está muito relacionado a tudo aquilo que a gente não deseja sentir.

Primeiro de tudo, preciso dizer que a forma como a gente se sente a cada momento é nossa responsabilidade. Podemos culpar os outros, dizer que é o marido que não colabora, que a sogra que irrita, que a mãe não compreende, ou qualquer outra queixa sobre trabalho, correria, falta de tempo para si. Mas a verdade (dolorida, eu sei) é que a gente é sempre responsável sobre o que sente e tem poder de mudar isso a cada momento.

Diante de uma atitude chata do outro, eu posso escolher sentir muita raiva, falar mal dele para Deus e o mundo, ficar remoendo… Eu posso dedicar o meu dia a sofrer por causa de uma atitude chata do outro!!! E sem perceber, é o que a gente costuma fazer. Damos “corda” para nossa raiva, para nossa frustração e vamos contando histórias ruins sobre o outro dentro da nossa cabeça, até que essa história nos deixe com mais raiva ainda! Com o tempo, passamos a nos sentir separados dos outros.

Aprendemos a nos sentir isolados e separar as pessoas entre as “que tem razão” e as que “não tem razão”. O curioso é que  100% das vezes a gente pensa que está certa e o outro é que está errado. 

Este vício – sim, para mim é um vício – pode simplesmente te impedir de ser feliz.

E o que eu tenho aprendido é que não é tão difícil quebrar este ciclo de desamor. Não é tão difícil fazer escolhas diferentes. Você pode até sentir raiva na hora, mas você pode decidir que não vai passar o dia alimentando aquela raiva. Você pode escolher respirar fundo, pensar em coisas melhores. Você pode dedicar seu dia a algo positivo, que faça sentido para você, e assim poderá deixar de lado aqueles pensamentos nocivos de separação que não iam te levar a nada, só ao sofrimento.

Podemos aprender que nós não somos escravos dos nossos pensamentos e podemos escolher quais deles nós vamos alimentar e quais vamos deixar ir.

Apenas fazendo isso, os conflitos com as outras pessoas já ficarão mais fáceis de lidar. Porque esta calmaria maior dá mais espaço para o perdão, para olhar as situações por outros ângulos, para a gente se colocar no lugar do outro.

E sabe o que eu percebi? Que geralmente as pessoas ao nosso redor querem o nosso bem SIM e gostariam de nos ajudar SIM. Mas elas podem não saber como fazer isso, ou elas podem não estar em um momento de vida favorável para fazer isso. Aquela ajuda que você está esperando de uma amiga pode não vir, mas isso não significa que ela não te ama ou que ela não quer te ajudar. Pode significar apenas que ela não sabe como te ajudar, ou ela não está podendo te ajudar.

Se você optar por não alimentar os pensamentos negativos e as emoções ruins em relação a esta amiga, muito provavelmente uma hora ou outra você vai conseguir perdoar e até mesmo pensar em oferecer para ela a ajuda que você tanto queria receber.

Muita gente vai pensar: “ah mas eu não quero ajudá-la porque ela não merece”. Mas a grande sacada é perceber que quem sai perdendo com os sentimentos de raiva ou desamor é a gente mesmo! Você pensa que está punindo o outro, mas está punindo a você mesmo. É o seu corpo que vai remoer aquele monte de hormônio desagradável, é o seu coração que vai ficar pressionado por batimentos desritmados, é o seu cérebro que vai ser inundado por sensações ruins.

Quando você opta por compreender/perdoar, você liberta a si mesmo!

E com o tempo, o vício do orgulho e de ter sempre razão vai perdendo espaço no nosso cotidiano. Agora que estou grávida pela segunda vez, tenho praticado intensamente este exercício.

O que eu não quero sentir? Não quero sentir angústia, não quero desejar mal a ninguém, não quero ficar estressada, porque eu sei que meu bebê vai sentir tudo que eu sentir. Então eu escolho, e escolho novamente, e escolho outra vez se for preciso: eu não vou deixar determinada situação me sentir assim. E, se puder evitar as situações desagradáveis em si, eu também evito, mas é que nem sempre é possível, pois a gente não vive em uma bolha.

Você vai notar que grande parte dos sentimentos ruins vão embora. Aqueles que sobram são aqueles mais desafiadores, que te trazem mais oportunidades de crescimento. Você pode registrar mentalmente estes desafios e se propor a resolver (sem pressa), pedir ajuda divina, ficar aberta para uma cura no futuro… E certamente um dia o nó vai se desatar.

Eu não quero sugerir que ninguém reprima os sentimentos, mas apenas que escolha melhor o que vai deixar crescer dentro de si. Diante de uma dor emocional ou desconforto, você pode se colocar como observadora e dizer a si mesma:

  • “Estou sentindo ….. (o sentimento tal). E me abro para que isso se resolva dentro de mim da melhor maneira”
  • “Estou com raiva por causa de … (tal coisa). Mas eu não quero ficar com raiva, hoje eu quero me sentir bem, vou deixar a raiva passar.”
  • “Hoje não estou me sentindo ótima, mas escolho me sentir diferente, cada vez melhor, ao longo do dia.”

Querer é o primeiro passo.

Espero ter te ajudado,

Com carinho

Natalia

Comments ( 2 )

  • Mila Sallenave

    Muito bom, Natalia! Aprendi isso no Yoga – escolher o que pensamos, dominar a mente e não ser dominado por ela – é um exercício constante, desafiador, mas reconfortante.

  • NATALIA MARTYNIAK

    Que lindo Nat! Obrigada ❤

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