Provar muitas vezes antes de gostar é normal – Maternamos entrevista nutricionista Fabíola Frezza Andriola | Maternamos
maternamos-entrevista-fabiola-frezza

Provar muitas vezes antes de gostar é normal – Maternamos entrevista nutricionista Fabíola Frezza Andriola

13487922_1048760481874176_25412667_nVocê sabia que é perfeitamente normal experimentar um alimento 8 ou até 15 vezes antes de começar a gostar? Por isso é tão importante não desistir de oferecer os mais variados alimentos para os bebês durante a introdução alimentar. Afinal, podem ser necessárias muitas tentativas até a criança aprender a gostar de certos alimentos.

Para falar sobre isso, convidei a nutricionista Fabíola Frezza Andriola, muito querida na internet materna. Ela inspirou muita gente com a série de postagens 100 Primeiros Alimentos do Ben, mostrando os primeiros sabores que apresentou para o seu filho. Certamente é um exemplo para quem está começando a fazer a introdução alimentar pelo método BLW!

Maternamos – Fabíola, queria começar falando sobre as postagens super bacanas que você fez sobre os 100 primeiros alimentos do Ben. Confesso que para mim, oferecer tamanha variedade é difícil, parece que sou levada a comprar as mesmas coisas sempre. Como você faz para variar bastante, tem alguma dica?

Fabíola –  Acho que o desafio foi uma grande motivação para mim em explorar os diversos sabores que o “mundo dos alimentos” nos dá oportunidade. experimentava junto muitas coisas. Nós adultos, tendenciamos comprar os nossos “favoritos” e acabamos limitando o conhecimento e experiências dos bebês!!! Acho que foi esse “desafio” que estimulou muitas mamães a também fazerem para se motivarem a essa variedade!!!

Maternamos – Pode falar um pouco sobre por que é importante oferecer variedade para o bebê?

Fabíola – Na Introdução Alimentar, que vai desde os 6 meses até 2 anos de idade, é a fase de maior formação de paladar, de aprendizados em relação aos sabores, texturas e aromas. O bebê deve ser estimulado a estar sempre “aberto” a experimentar coisas novas. Isso evita mais tarde a famosa seletividade alimentar e a neofobia alimentar, que é o medo de experimentar alimentos desconhecidos até então.

Maternamos É verdade que o bebê precisa provar o mesmo alimento várias vezes até começar a gostar? Pergunto isso porque às vezes desanima oferecer um alimento muitas vezes sem o bebê comer, e fico me perguntando se a insistência pode nos levar a algum lugar.

Fabíola – Sim, verdade verdadeira! Alguns estudos trazem até um número de vezes de deveria ser oferecido para o bebê, alguns dizem 8 vezes, outros 15 vezes. Mas na minha opinião, temos que levar em consideração muitas questões. O bebê quando inicia a Introdução Alimentar é TUDO muito novo, a textura do alimento, o formato, até mesmo a forma de comer, que antes era no seio da sua mãe ou no colo de alguém muito próximo, e a partir da IA começa a ser na cadeira, no chão… bom, tudo isso pode influenciar a adaptação. Algumas reações que o bebê tem nesse contato com os alimentos, podemos “ler” erroneamente que é um “não gostou”, mas na verdade o bebê só está expressando aquele momento novo. Pode colocar para fora da boca, fazer careta, jogar longe, mas não quer dizer que não gostou!

Aqui em casa dou sempre o exemplo da cenoura, sempre dei para o Benjamin desde os 6 meses, e ele foi somente pegar e comer depois de 1 ano. Mas nunca deixei de oferecer, sempre que tinha na refeição aqui de casa, oferecia, sem forçar, sem chantagear, sem nenhum questionamento. apenas respeito!

Maternamos  – Eu sou entusiasta do método BLW mas percebo que muita gente quer fazer e acaba desistindo. Quais são os principais motivos que fazem as pessoas desistirem, na sua opinião?

Fabíola – Acho que hoje a muita confusão em relação ao método BLW, a maioria acredita que seja somente oferecer os alimentos em pedaços, e não estudam realmente toda a teoria e princípios do método, que está muito baseado no respeito ao tempo do bebê! Admito que se fosse somente essa a proposta do método, acho que até mesmo eu desistiria. Mas quando você entende que há muito mais por trás disso, você se apaixona pelo método e segue ele sem pensar duas vezes.

Maternamos Muitas mães que têm bebês alimentados com fórmula infantil ficam inseguras em adotar o BLW. Existe alguma diferença nestes casos?

Fabíola – Cada bebê é único. O respeito com um bebê que mama leite materno exclusivo ou que recebe fórmula láctea para idade deve ser o mesmo, respeitar esse tempo em que o bebê percebe que o alimento veio para saciar a fome e que aos poucos ele vai decidindo mamar menos e comer mais. É sempre importante um acompanhamento, mas não há restrição nenhuma!

Maternamos Outro perfil que tem muita insegurança de adotar o BLW são as mães de alérgicos. Qual a sua visão sobre isso, existe algum impedimento para alérgicos fazerem BLW?

Fabíola – Não. Precisam alguns cuidados sim, mas assim como se teriam essas mesmas medidas de segurança na IA tradicional, se tem no BLW.

Maternamos – Queria saber se você gosta de todos os alimentos que oferece para ele. E caso não goste, se você come mesmo assim. Porque tem esta questão do paladar da mãe que eu acho que interfere.

Fabíola – Com certeza. Mas eu particularmente gosto de tudo! Acho que deve ser respeitado, não precisamos ter a obrigação de gostar de tudo, assim como o bebê, mas temos a obrigação de passar o exemplo de experimentar!

Maternamos – E se a família tem costume de comer algo que não é ideal para o bebê, como uma lasanha por exemplo. Você recomenda que a família adapte a lasanha para poder incluir o bebê ou que faça um prato diferente para a criança? Como lidar nestes casos, tem alguma dica?

Fabíola – Acho legal dentro do possível adaptar pelo menos uma porção para a criança. Mas acredito que deve haver um bom senso e não ser extremista. As vezes o bebê comer algo diferente da família, mas se não for rotina sem problemas.

Maternamos – Obrigada, Fabíola! 

Gostou desta entrevista? Então compartilhe!

No Comments

Post a Comment